Componentes das instalaçoes solares
térmicas
Neste documento são analisadas as principais características
físicas e funcionais dos diferentes componentes de
uma instalação solar térmica para água
quente sanitária.
COLETOR
Os parâmetros fundamentais que caracterizam seu funcionamento
são os de ganho e de perda em seu rendimento térmico.
Também devem ser considerados outros fatores:
- Durabilidade.
- Facilidade de montagem e transporte.
- Confiabilidade, garantia e serviço pós-venda
do fabricante.
A disponibilidade dos ensaios de rendimento e durabilidade
por entidades reconhecidas, assim como de certificados de
homologação, proporciona uma maior confiabilidade
do produto. Em alguns países já foram baixadas
disposições normativas sobre fabricação,
rendimentos e ensaios sobre coletores solares.
Além da homologação, existem requisitos
a serem cumpridos pelos coletores nas especificações
técnicas. Em linhas gerais, eles podem ser:
1. O material da cobertura transparente deve ser vidro normal
ou temperado (para evitar degradações) e de
espessura não superior a 3 mm (para evitar quebras).
2. Distância entre o coletor e a cobertura transparente
de entre 2 e 4 cm.
3. O material do coletor será metálico de cobre.
Com isso pretende-se evitar o uso indiscriminado de materiais
plásticos.
4. O coletor terá um orifício de ventilação
de diâmetro superior a 4 mm, localizado na parte inferior
para que possa ser eliminado o acúmulo de água.
Isso deve ser feito de forma que não afete o isolamento.
5. Não poderão ser utilizados coletores de
mais de um vidro. O uso de mais de uma cobertura encarece
os coletores e não fornece vantagens.
6. A carcaça dá rigidez ao conjunto e deve-se
evitar a presença da água no interior.
Esse é um dos maiores problemas, que pode gerar condensações
sob o cristal, encharcar o isolamento e corroer o coletor.
Vidro de espessura >3 mm e transmissividade >0,8
Coletor metálico de cobre
Separação entre 2 e 4 cm.
Orifício de drenagem e ventilação (diâmetro
>4 mm)
Perda de carga do circuito hidráulico <1 mca para
1 l/mm2
Durabilidade e confiabilidade.
A durabilidade dos coletores solares é um fator decisivo
na sua escolha, especialmente se quisermos que durem, no
mínimo, 20 anos. Hoje em dia, conta-se com informação
e experiência suficientes sobre o tema e existem no
mercado coletores plenamente confiáveis. Antigamente,
as falhas de muitas instalações tinham sua
origem em coletores mal construídos ou mal instalados.
As principais causas de falha dos coletores podem ser:
- Entrada de água no interior do coletor.
- Degradação do tratamento do coletor (que
pode ser evitada utilizando lâminas de cobre).
- Corrosão do coletor (igual ao anterior).
- Degradação e quebra da cobertura.
- Degradação dos materiais isolantes.
- Degradação do material das juntas, vedações
e uniões.
BOILER
São do mesmo tipo que os utilizados para produção
de água quente sanitária em sistemas convencionais.
Projeto
O projeto dos boilers dever levar em conta os seguintes
aspectos:
- Forma e disposição do boiler.
- Resistência do conjunto à máxima pressão
e temperatura.
- Tratamento interno de materiais em contato com água
para banho.
- Isolamento e proteção para evitar perdas
de calor.
- Situação de conexões de entrada e
saída.
- Medidas para favorecer a estratificação
e evitar a mistura de água fria com quente.
- Previsão de corrosões e degradações.
Os principais problemas encontrados no funcionamento dos
boilers de água quente são:
- Perdas de rendimento por excessivas perdas de calor, geradas
por um isolamento defeituoso ou por fluxo inverso durante
a noite.
- Perdas de rendimento pelo surgimento de caminhos prioris
preferentes do fluido, motivadas por um projeto defeituoso
das conexões de entrada e saída.
- Degradação do tratamento de proteção
interior e perfuração do tanque por corrosões
das paredes internas.
Corrosões e degradações.
Os principais problemas de corrosão ocorrem por
efeito do excesso de temperatura, pela presença de
pares galvânicos e pelo oxigênio e sais dissolvidos
na água.
O excesso de temperatura é difícil de prever
em instalações por termossifão, portanto
é recomendado utilizar projetos superiores a 70 ou
80 litros por metro quadrado de coletor.
Funcionamento.
Os fatores que mais afetam o funcionamento de um boiler solar
são os seguintes:
Estratificação.
É a distribuição vertical de temperaturas
da água quente que favorece o rendimento. A estratificação
é aumentada utilizando boilers verticais e evitando
as misturas no interior durante o processo de aquecimento.
Circulação interior.
É preciso prestar especial atenção
ao projeto das conexões de entrada e saída
do boiler.
Perdas de calor.
Deve haver isolação adequada.
Mistura.
Gera-se pela alta velocidade da água ao entrar e/ou
sair do boiler e sempre prejudica o funcionamento da instalação.
TROCADOR
É utilizado para evitar incrustações
calcárias em coletores, para eliminar possíveis
problemas de corrosão, para permitir o uso de anticongelante
como sistema antigelo ou para usar coletores com pressão
de trabalho inferior à rede.
Tipos de trocadores.
Os habitualmente utilizados e incorporados ao boiler são
os seguintes:
- Trocadores submergidos no interior do boiler, serpentina,
grampo e anular.
- Trocadores de calor constituídos por uma dupla
envolvente do boiler.
Caracterização funcional.
Os trocadores de calor ficam caracterizados pela potência
térmica, sua efetividade (ou rendimento térmico)
e a perda de carga. Para os trocadores incorporados no boiler,
os fatores de potência térmica e rendimento
geralmente são utilizados de forma global e transformados
em metros quadrados de superfície útil de
troca.
A superfície útil de troca representa a superfície
total do trocador que está em contato com a água
do boiler. Para definir um parâmetro que permita comparar
diferentes projetos, costuma-se referir por metro quadrado
de superfície de captação. Valores
normalmente utilizados costumam estar compreendidos entre
0,25 e 0,40.
BOMBA CIRCULADORA
A bomba circuladora é utilizada nas instalações
de circulação forçada para produzir
o movimento do fluido entre coletores e boiler.
Condições de funcionamento.
As bombas se caracterizam pelas condições
de funcionamento representadas para um determinado fluido
de trabalho, pelo caudal volumétrico e a altura de
impulsão ou manométrica.
Instalação.
As bombas em linha serão instaladas com o eixo de rotação
horizontal e com espaço suficiente para que o conjunto
motor-roda possa ser facilmente desmontado. As tubulações
conectadas às bombas em linha serão suportadas
em correspondência dos arredores das bombas. O diâmetro
das tubulações de acoplamento não poderá
ser nunca inferior ao diâmetro da boca de aspiração
da bomba. As válvulas de retenção estarão
localizadas na tubulação de impulsão
da bomba.
COMPONENTES DO CIRCUITO HIDRÁULICO.
Para o projeto do circuito hidráulico devem ser
levadas em conta as ações às quais
ele estará submetido e as condições
mais desfavoráveis que podem ocorrer para, após
definido o tipo de fluido de trabalho que vai ser utilizado,
determinar os componentes e materiais mais adequados.
Não esquecer que em uma instalação
de energia solar com elementos do circuito hidráulico,
como coletores, trocadores de calor, boilers, etc., construídos
de materiais diferentes, os que se devem usar nos circuitos
têm de ser compatíveis com aqueles e também
com o fluido de trabalho. Se isso não for possível,
devem ser tomadas precauções, tanto no que
diz respeito à montagem dos elementos entre si, quanto
ao tratamento do fluido.
Tubulações.
Montagem. Serão instaladas o mais perto possível
dos paramentos, deixando o espaço necessário
para manipular o isolamento, válvulas, etc. A instalação
das tubulações de cobre será realizada
levando em conta as mesmas normas aplicadas em qualquer
obra de encanamento.
As conexões dos equipamentos às redes de tubulações
serão feitas sempre de forma que a tubulação
não transmita nenhum esforço mecânico
ao equipamento, devido ao próprio peso, nem o equipamento
à tubulação, devido a vibrações.
As conexões deverão ser facilmente desmontáveis
por meio de acoplamento por flanges ou roscas, a fim de
facilitar o acesso ao equipamento em caso de substituição
ou conserto. Os elementos acessórios do equipamento,
como válvulas de regulagem e instrumentos de medida
e controle deverão ser instalados antes da parte
desmontável da união para a rede de distribuição.
Nos circuitos fechados são criados pontos altos devido
ao traçado do circuito (extremidades finais de colunas
e conexões de unidades terminais) ou às pendentes
mencionadas no parágrafo anterior. Para eliminar o
ar do circuito, de forma manual ou automática, será
colocado em todos os pontos altos um purgador. Os purgadores
automáticos serão do tipo de flutuador, adequados
para a pressão do circuito. Os purgadores deverão
ser acessíveis e deve ser visível a saída
da mistura ar-água.
As dilatações nas tubulações,
que ocorrem com a variação da temperatura
do fluido, devem ser compensadas a fim de evitar quebras
nos pontos mais fracos, que costumam ser as uniões
entre tubulações e equipamentos, onde geralmente
se concentram os esforços de dilatação
e contração. Nos traçados de tubulações
de grande longitude, horizontais ou verticais, serão
compensados os movimentos de tubulações mediante
dilatadores axiais.
Isolamento.
As tubulações, os boilers e os acessórios
hidráulicos de uma instalação solar
térmica mantêm temperaturas superiores ao ambiente
durante o funcionamento, perdendo calor por condução
através das uniões do sistema de aterramento
e por convecção e radiação ao
ambiente. As perdas por radiação são,
em geral, pequenas e as de convecção são
as mais importantes. As perdas de calor são causa
importante de redução do rendimento e obrigam
a isolar a instalação com o propósito
de minimizá-las. Para os sistemas pequenos são
recomendados, técnica e economicamente, os boilers
isolados em fábrica com espuma de poliuretano e proteção
final metálica ou de material plástico.
Expansão e segurança
Para absorver a dilatação da água no
circuito primário são empregados os seguintes
procedimentos:
- Em sistemas fechados são utilizados vasos de expansão
de membrana pressurizados por nitrogênio ou ar.
- Em sistemas abertos são utilizados vasos de expansão
do tipo abertos, instalados em local elevado e que podem servir
como sistema de alimentação e como purga de
ar.
É de grande importância a montagem de válvulas
de segurança nos circuitos pressurizados.
Válvulas.
As válvulas são identificadas pelas seguintes
características funcionais:
- Caudal dependente da superfície livre de passagem.
- Perda de pressão a obturador aberto, dependente
da forma de passagem do fluido.
- Hermeticidade da válvula a obturador fechado ou
pressão diferencial máxima, que depende do tipo
de fechamento e dos materiais empregados.
- Pressão máxima de serviço, que depende
do material do corpo de válvula, das dimensões
e da espessura do material.
- O tipo e diâmetro das conexões, por rosca,
flanges ou solda.
A escolha das válvulas será realizada de acordo
com a função que desempenham e as condições
extremas de funcionamento (pressão e temperatura):
- Isolamento: válvulas de esfera.
- Equilíbrio de circuitos: válvulas de assento.
- Esvaziamento: válvulas de esfera ou macho.
- Enchimento: válvulas de esfera.
- Purga de ar: válvulas de esfera ou macho.
- Segurança: válvulas de mola.
- Retenção: válvulas de disco ou de
“placeta”.
Não será permitido o uso das válvulas
de comporta. Será limitado o uso das válvulas
para o equilíbrio dos circuitos, devendo-se conceber
circuitos de por si equilibrados na fase de projeto.
OUTROS ELEMENTOS
Purificação do ar
É preciso prestar especial atenção
para impedir a formação de bolsas de ar “capturadas”
no circuito que impeçam a circulação.
Nesse sentido, leva-se em conta:
- Evitar a formação de sifões.
- Colocar purgadores de ar nas áreas altas.
- Montar as bombas em trechos verticais, de forma que se
impeça a formação de bolsas de ar no
interior das mesmas.
- Não baixar a velocidade de circulação
de tubulações de 0,6 m/sg.
- Nos circuitos fechados, montar o vaso de expansão
na entrada da bomba.
- Manter uma pressão mínima no ponto mais
alto de 1,5 kg/cm2.
Esvaziamento
Devem ser colocadas conduções de drenagem
nos pontos mais baixos da instalação, de forma
que seja possível o esvaziamento total ou parcial
das zonas que se configurem na instalação.
Enchimento
Os sistemas fechados devem incorporar um sistema de enchimento
automático ou manual que permita encher o circuito
e mantê-lo pressurizado. É conveniente que
o enchimento seja realizado pela parte inferior do circuito,
de forma a evitar a formação de bolsas de
ar retidas durante o enchimento. Os sistemas que requerem
anticongelante devem incluir um sistema que permita o preenchimento
manual do anticongelante.
EQUIPAMENTOS DE MEDIDA
Os elementos de medida de uma instalação proporcionam
a informação para que o usuário conheça
o estado de funcionamento. Os mais utilizados nas pequenas
instalações solares são:
- Manômetro de esfera com escala graduada de 0 a 4
ou 6 kg/cm2, que permite medir a pressão do circuito
fechado para verificar o enchimento do circuito e o funcionamento
do sistema de expansão.
- Termômetro de esfera com escala graduada de 0 a 60,
80 ou 120ºC para medir a temperatura em circuitos e/ou no
boiler.
Cada vez são mais utilizados os termômetros
analógicos ou digitais, que permitem medir a distância
com maior precisão.
EQUIPAMENTOS DE ENERGIA AUXILIAR
O sistema de energia auxiliar deve ser desenhado e calculado
para abastecer a demanda completa de água quente
e, nesse sentido, deve ser considerado como um sistema convencional
de aquecimento de água. Seu acoplamento a uma instalação
solar leva em consideração os seguintes aspectos:
- A temperatura de saída do boiler solar pode variar
em uma ampla margem.
- O sistema de aquecimento auxiliar não deve interferir
no processo de aproveitamento da radiação
solar.
- Deve ser otimizado o acoplamento para conseguir o máximo
rendimento do conjunto.
Para isso é preciso que a água, no sentido
de circulação, seja aquecida primeiro no boiler
e depois passar pelo sistema auxiliar antes de ser consumida.
EQUIPAMENTOS DE REGULAGEM E CONTROLE
Em instalações com circulação
forçada, é utilizado o controle diferencial
de temperaturas para ativar a bomba em função
das temperaturas de saída de coletores e do boiler.
Em nenhum caso as bombas estarão em funcionamento
com diferenças de temperaturas menores a 2ºC nem
paradas com diferenças superiores a 7ºC. O sistema
de controle incluirá sinalizações luminosas
da alimentação do sistema do funcionamento
de bombas. A faixa de temperatura ambiente de funcionamento
do sistema de controle será, no mínimo, entre
-10 e 50ºC.
O projeto de instalação deve localizar cuidadosamente
as sondas de forma que se detectem exatamente as temperaturas
desejadas, instalando-se os sensores no interior de bainhas
e evitando tubulações separadas da saída
dos coletores e as áreas de estancamento nos boilers.