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Pesquisadores
da Universidade de Washington apresentaram estudo
que utilizou peixes zebra (transparentes) e que busca
averiguar como a falta de um nutriente específico
-o cobre- interage com a genética do embrião
durante o desenvolvimento precoce. |
A pesquisa poderia levar à prevenção
de uma doença produzida por uma mutação
genética chamada Mal de Menkes. Erik C. Madsen e
Bryce Mendelsohn, pesquisadores da Universidade de Washington,
apresentaram o descobrimento que poderia levar a uma cura
para este mal.
“Quando a maioria das mulheres sabe que está
grávida, o desenvolvimento dos órgãos
do feto está essencialmente completo. Como atualmente
não se conhece a interação entre a
genética e a nutrição, a meta desta
pesquisa era averiguar como a falta de um nutriente específico,
neste caso o cobre, interage com a genética do embrião
durante o desenvolvimento precoce", explicou Mendelsohn.
Madsen e Mendelsohn, ambos pesquisadores da Escola de Medicina
da Universidade de Washington, perguntavam-se se poderia
prevenir o mal de Menkes nos peixes zebra corrigindo mutações
genéticas que intervêm no processo de metabolismo
do cobre durante um breve período em que os órgãos
se desenvolvem. No Laboratório de Jonathan D. Gitlin,
M.D., Professor de Pediatria na Escola de Medicina e Diretor
de Genética e Genômica no Hospital de Crianças
de St. Louis estudaram o impacto do metabolismo do cobre
no desenvolvimento do peixe zebra, um vertebrado que se
desenvolve de forma similar aos humanos e que se converteu
em organismo modelo de grande importância na pesquisa
genética, dado que seus embriões transparentes
crescem fora do corpo da mãe, o que permite que se
possa observar facilmente seu desenvolvimento.
Os pesquisadores identificaram um gene nos peixes zebra
responsável pelo metabolismo do cobre, chamado ATP7A.
Comprovaram que algumas variantes do gene ATP7A conduzem
a um metabolismo anormal do cobre, o qual dá como
resultado uma deterioração no desenvolvimento
do notocórdio do peixe, que é similar à
coluna vertebral dos humanos.
Nos humanos, o cobre encontra-se em todos os tecidos do
corpo e é crucial para manter estáveis os
níveis de ferro, para a formação de
tecido conectivo, para a função das células
nervosas no cérebro, assim como para a produção
e pigmentação hormonais. Traços do
metal encontram-se comumente em mariscos, nozes, chocolate,
cereais e fígado.
Que um embrião de peixe zebra tenha ou não
suficiente cobre para desenvolver-se de maneira normal,
depende não só da quantidade total de cobre,
mas também da melhor maneira que funcione este gene.
O mal de Menkes é uma alteração hereditária
do metabolismo do cobre, provocada por uma mutação
na versão humana do gene ATP7A. As crianças
que têm este mal sofrem de ataques epilépticos,
degeneração neuronal, desenvolvimento anormal
dos ossos e cabelo de aspecto estranho, sem cor. A doença,
embora muito rara, é intratável e mortal.
”A mutação genética é
causada por uma interrupção no código
genético. O objetivo é recuperar ou cobrir
o defeito. Considerem o código genético como
um livro, e alguém jogou letras ao acaso na metade
do livro," explica Madsen. Para poder ler esse livro,
você deve ignorar essas letras. Se podemos fazer com
que as células ignorem esses garranchos, o feto poderia
desenvolver-se de forma normal."
Este método poderia ser utilizado para outras doenças,
"a idéia é que possamos modificar o tratamento
para nos enfocarmos nas mutações específicas
e projetar moléculas que alterem funções
genéticas," explicou Gitlin.
O trabalho é um importante passo em prol da medicina
personalizada que pode adaptar os tratamentos a cada pessoa.
"Eventualmente gostaríamos de conhecer o genoma
de cada pessoa, assim poderíamos saber que mutações
podem desenvolver", diz Gitlin. “Dessa maneira,
você não busca uma droga para o câncer
que ataca qualquer câncer, você obtém
uma droga para uma específica mutação
que causa seu câncer. Isso é o que significa
a medicina personalizada”.
Fonte: http://www.sciencedaily.com
Peixe zebra (Imagem cortesia da
Universidade de Washington)