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A
estatísticas indicam: de dois milhões
de pessoas que contraem infecções nos
estabelecimentos hospitalares dos Estados Unidos no
período de um ano, cem mil morrem. Uma crise
semelhante ocorre no Reino Unido, na Irlanda e no resto
do mundo. |
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Em abril teve início uma experiência
no hospital de Birmingham (Inglaterra) com duração
de dezoito meses, que busca estabelecer se a instalação
de superfícies de cobre inibe a multiplicação
do temido estafilococo aureus e outras infecções
que são contraídas nos hospitais.
Como muitos outros hospitais na Europa,
o Selly Oak tem lutado contra os supermicróbios.
Testes laboratoriais da Universidade de Southampton estabeleceram
que as propriedades antimicrobianas naturais do cobre e
das suas ligas diminuem substancialmente a presença
do estafilococo aureus se comparado ao aço inoxidável,
superfície de metal usualmente utilizada nos hospitais.
Todas estas descobertas estão sendo submetidas a
teste no ambiente hospitalar real. Se o processo for bem
sucedido, o cobre poderia ser aplicado para deter
as taxas de óbito por infecções hospitalar.
De acordo com o Escritório Nacional
de Auditoria (Reino Unido), cerca de 300 mil pacientes contraem
infecções nos hospitais a cada ano e no mínimo
5 mil doentes morrem. O custo anual para o sistema nacional
de saúde é de um bilhão de libras.
O Selly Oak foi selecionado por ser um centro
multidisciplinar com uma área microbiológica
avançada. Como cerca de 80% da transmissão
do estafiloco aureus efetua-se por meio de superfícies
de contato (que geralmente é em aço inoxidável),
a infra-estrutura de uma sala do hospital foi adaptada com
o uso de cobre, como as tampas dos vasos sanitários,
as torneiras das pias e as barras em geral. Até mesmo
as canetas utilizadas pela equipe foram fabricadas com uma
liga de cobre.
Uma sala semelhante conservará os
tradicionais utensílios de metal e atuará
como controle da experiência. Se os resultados laboratoriais
forem bem-sucedidos, seria possível que milhares
de hospitais em toda a Europa começassem a usar utensílios
com ligas de cobre.
“Potencialmente será muito encorajador se nós
descobrirmos que o cobre efetivamente atua em um meio ambiente
clínico, fazendo o acompanhamento dos testes laboratoriais
em Southampton e aqui em Birmingham”, afirma Tom Elliot,
diretor do hospital.
Os testes apresentam resultados impactantes: a bactéria
MRSA (estafilococo aureus resistente à Meticilina)
no aço inoxidável permaneceu totalmente ativa
durante dias. No latão (liga de cobre e zinco) essa
bactéria morreu em menos de cinco horas e no cobre
puro foi eliminada em 30 minutos.
O diretor da Unidade de Cuidados da Saúde Meioambiental
da Universidade de Southampton, William Keevil, diz que
o cobre sufoca os germes. “O metal reage com as bactérias,
inibindo a sua respiração. Se revisarmos a
literatura, os egípcios utilizavam o cobre já
há milhares de anos para o tratamento das infecções”.
Os testes demonstram que não só o estafilococo
aureus pode ser eliminado com cobre. A nova ameaça,
o extremamente resistente Clostridium difficile (que matou
3.800 pessoas em 2005) também pode ser eliminado,
como evidenciou-se em testes preliminares.
Os cientistas estão considerando aplicações
médicas mais amplas, incluindo uma possível
defesa da gripe aviária. Experiências realizadas
pela equipe de Southampton demonstraram que o metal pode
eliminar o vírus da gripe humana. O professor Keevil
conta: “ A gripe aviária é quase idêntica
à gripe humana normal e embora ainda não tenhamos
realizado uma pesquisa, é possível prever
os mesmos resultados”.
A International Copper Association (ICA) está ciente
de que deve informar as vantagens desta propriedade antimicrobiana
do metal vermelho e o seu enorme potencial. “Por meio
dos nossos escritórios em diversos países
no mundo estamos trabalhando para apoiar o desenvolvimento
do cobre e dos produtos para a saúde, mediante o
fornecimento de informação sobre a eficácia
de diversas ligas de cobre e a sua aplicabilidade em diferentes
usos”, explica Miguel Riquelme, diretor Regional da
ICA Latin America.