O projétil de cometas feito de
cobre
Em 4 de julho de 2005, a Nasa perfurou profundamente um
cometa no espaço. A meta da missão era descobrir
informações sobre a natureza e as origens
do sistema solar da Terra. Um dos metais mais antigos do
planeta teve um papel fundamental neste desdobramento pirotécnico
interplanetário único. Os cientistas da Nasa
lançaram uma sonda chamada “projétil
inteligente” para uma colisão frontal deliberada
contra o Cometa Tempel 1.
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| Esta
espetacular imagem do cometa Tempel 1 foi tirada 67
segundos depois que destruiu o projétil de ponta
de cobre Impacto Profundo, causando a grande mancha
de luz que se vê aqui. A foto, tirada pela nave
seguidora da missão, deu aos cientistas da Nasa
uma grande visão da superfície do cometa,
incluindo suas irregularidades, superfície rugosa
e crateras formadas há muito tempo por outros
impactos. Foto Cortesia do NASA/JPL-Caltech/UMD. |
A missão Impacto Profundo da Nasa foi um êxito.
Mais de 50 telescópios e 200 pesquisadores observaram
quando o cometa teve o impacto com a sonda que viajava a
mais a 23 mil milhas por hora, mais rápido que a
velocidade de uma bala.
Tal como tinha sido planejado, a parte dianteira do projétil,
arredondada e feita em cobre, bateu contra o núcleo
do cometa no lado iluminado pelo sol, criando uma cratera
na superfície e liberando pó, gás e
outras emissões como uma erupção vulcânica.
A explosão destruiu o projétil, mas não
alterou significativamente a trajetória do cometa.
Por que cobre?
Metade da massa do projétil era composta por cobre.
O metal foi selecionado com base em vários fatores
fundamentais, incluindo a sua dureza. Para aumentar a resistência
da sonda, o cobre foi fortificado com três por cento
de berilo. Entretanto, foi a estrutura molecular do cobre
que fez com ele que fosse adequado para compilar dados das
emissões liberadas do cometa depois da colisão.
Como a estrutura atômica do cobre reage lentamente
com outros elementos – particularmente com o oxigênio
que se encontra na água de cometas – as emissões
de cobre em chamas não obscureceram as imagens espectroscópicas
coletadas durante a colisão. Outros materiais, como
o alumínio, teriam criado emissões mascaradas
e limitado a efetividade do instrumento utilizado para monitorar
a luz refletida do cometa.
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Os técnicos inspecionam o projétil Impacto
Profundo, que tem ponta de cobre. Imagem Cortesia do
Ball Aerospace & Technologies Corp. |
A Nasa compilou dados de uma distância segura de
310 milhas abaixo da colisão utilizando a nave “seguidora”
Impacto Profundo, que levou a sonda ao espaço. Os
cientistas tiveram cerca de 14 minutos para fotografar os
resíduos, utilizando tanto imagens ópticas
como infravermelhas, até que uma nuvem de resíduos
do cometa bloqueou a visão da espaçonave.
Os cometas são tão antigos quanto a Terra
e nossos planetas vizinhos. Os cientistas acreditam que
são formados por gelo, gases, rochas e resíduos
de pó que resultaram da formação de
nosso sistema solar, cerca de 4,6 bilhões de anos
atrás. Espera-se que os resíduos lançados
do núcleo do cometa levem a uma melhor compreensão
de como se criou o sistema solar, incluindo nosso próprio
planeta.