Copper Alliance

Por que as mineradoras se preocupam com a sustentabilidade?

Você pode não saber , mas a indústria da mineração se preocupa com a sustentabilidade e não há futuro sustentável sem mineração e metais.

Este é um ótimo artigo escrito por por Andrew Winston da HBR (Harvard Business Review).

A indústria do cobre, compartilha todos os os dados de ACV (Avaliação do Ciclo de Vida), indicadores de sustentabilidade, casos, etc., no site www.sustainablecopper.org, a fim de demonstrarmos nossa transparência.

Antigamente, no ambientalismo corporativo, o foco principal estava voltado para as grandes indústrias pesadas. Combustíveis fósseis e mineração tinham as questões ambientais mais óbvias, assim como extensos regimes regulatórios. Atualmente, no entanto, as discussões de sustentabilidade são mais focadas nas ações das marcas de produtos de consumo, varejo e tecnologia. Porém, é importante periodicamente analisar o impacto ambiental e verificar como elas este problema está sendo refletido.

Para exemplificar, considere a escalada do cobre, com mais de 25 milhões de toneladas produzidas anualmente. O Chile é o maior produtor deste metal, produzindo cerca de 25% do total global. A China é o maior comprador de minério do mundo, uma vez que utiliza cerca de 40% a 60% dos principais minerais do mundo, incluindo cerca de 45% do cobre global.

 

Uma indústria desse porte, com materiais pesados ​​circulando pelo mundo, cria impactos ambientais significativos. Durante anos, a tradicional agenda de responsabilidade corporativa exigiu que essas empresas trabalhassem com maior transparência e com as comunidades locais,  durante todo o ciclo de vida de grandes projetos. Isso faz parte do conjunto de ferramentas para manter sua “licença para operar”.

Mas, a agenda da sustentabilidade na mineração está se ampliando, assim como tem acontecido para para todos os setores.

No caso da mineração, especificamente, o setor tem muito a perder se não entender e gerenciar as mega tendências globais, como aumentar a pressão sobre os recursos naturais, as crescentes demandas por transparência e a ação global sobre as mudanças climáticas, que afeta todas as empresas de maneira intensiva. Por outro lado, a ascensão da economia limpa está criando uma vantagem e um crescimento significativo para os negócios de cobre.

Vamos começar com os riscos. Um mundo em crescimento para 9 ou 10 bilhões de pessoas, onde muitas delas tem se tornado mais ricas, exige mais de tudo! Mas, a riqueza de minérios tem diminuído a longo prazo para a maioria dos elementos. O teor de minério de cobre caiu de 4% há um século, para abaixo de 1% atualmente (e caindo). A mineração de cobre não é afetada apenas pela pressão dos recursos naturais; ela incorpora restrições de recursos naturais.

Esta tendência de longo prazo requer escavar ainda  mais a terra para obter a mesma quantidade de cobre. De 2006 a 2016, o teor de minério de cobre caiu 25%, mas a produção total aumentou 30%. Além disso, o uso total de energia no setor aumentou 46%, uma relação mais do que linear entre a expansão da produção e o crescimento do uso de energia. Esta situação é preocupante para o setor, principalmente no que tange as emissões de carbono.

O compromisso do Chile com o acordo climático de Paris, por exemplo, é reduzir as emissões em 30% até 2030. Nenhuma indústria pode manter o aumento das emissões de CO2.

Mas, existe uma luz no horizonte. Em primeiro lugar, porque a energia limpa está ficando cada vez mais barata, com os custos solares caindo 80% na última década. E, como se vê, grande parte do Chile recebe mais radiação solar (por metro quadrado) do que em qualquer outro lugar do mundo (uma nota interessante: pelas mesmas razões, cientistas colocaram muitos dos maiores observatórios espaciais no Chile). A indústria está começando a abraçar as energias renováveis, então a economia limpa deve ajudar a manter o setor do lado direito da batalha climática.

Em segundo lugar, a ascensão da economia limpa está criando novos e estimulantes mercados de crescimento para o cobre. A queda rápida no custo do armazenamento de baterias está gerando algumas projeções otimistas para o uso de veículos elétricos (EVs), no qual necessita de muito cobre. Um veículo elétrico requer cerca de 4 vezes mais cobre que um motor de combustão interna. Tudo isso é uma boa notícia para o setor, mas quando se analisa melhor tendências, a opinião se mistura.

 

Os teores de minério ainda estão diminuindo e o mundo precisará de mais cobre do que precisava antes. Já está na hora de usar a lente da sustentabilidade para pensar mais sobre metais e como construir uma economia circular. E se repensarmos como conseguimos os metais, por exemplo por que precisamos de metais novos ou virgens, se podemos reutilizar o que já temos?

Dois caminhos parecem promissores. Primeiro, um dos maiores passivos ambientais desse setor (ou de qualquer outro) são os “reservatórios de resíduos”, os grandes reservatórios de minerais remanescentes com metais tem uma porcentagem muito pequena para se preocupar… até agora. A ERG (Eursians Resources Group)  descobriu uma maneira econômica de reprocessar os resíduos em um dos maiores reservatórios do mundo para recuperar cobre e cobalto. Isso é benéfico para reduzir o risco ambiental (essas piscinas vazam para cursos d’água) e evitam o uso da produção virgem.

O segundo caminho é basicamente a reciclagem, mas a partir de uma fonte rica em metais: a sucata eletrônica antiga. Um estudo da ONU estimou que, o lixo eletrônico tem de 40 a 800 vezes mais ouro que o minério de ouro. Não é fácil separar dezenas de metais de plásticos e outros materiais e coletá-los em quantidades econômicas, mas essa é uma oportunidade de inovação.

É cada vez mais óbvio que todas as empresas e indústrias, não importa quão pesadas ou modernas sejam, têm grande interesse em questões relacionadas a mudança climática, tecnologia limpa e crescente demanda por transparência. Os riscos e oportunidades são reais, e os benefícios de olhar para o negócio através de uma lente de sustentabilidade é cada vez mais nítida.

Leia também:  infográfico sobre o cobre e a sustentabilidade.

Artigo traduzido e adaptado: https://hbr.org/2018/04/why-mining-yes-mining-cares-about-sustainability

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